Simplesmente Complicado
by: Heloisa Massaro
As vezes as coisas mais simples da vida por ironia do destino se complicam repentinamente sem nem ao menos avisar, mas as vezes as coisas mais complicadas se simplificam.
Aparência e essência, totalmente opostas e ao mesmo tempo inseparaveis.
O mundo é totalmente subjetivo mesmo quando quer ser objetivo.
Nem tudo que parece ser é.
Complique o simples e descomplique o complexo, viva insanamente e conscientemente, ame o odiável e odeie o amável, seja o oposto e o semelhante.
Se opostos e semelhantes se atraem sem regras misture os dois e viva igualmente diferente. (Heloisa Massaro)

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Eu nada pensava quando me peguei observando seus copos. Ele bebia água, ela caipirinha. O significado daquilo ultrapassava a barreira do simples fato, era mais que lembranças, planos, sonhos… Era uma irônica semelhança que eu construía em frases tentando expressar e esconder o que aquela cena despertava em mim, criando ideias e imaginando fatos que talvez não passassem nem perto de ser metáforas de suas realidades. Ele tinha cara de cama, cheirava a livro e vestia aquela calça e camiseta que estavam jogadas na cadeira de seu quarto desde o dia anterior. Ela tinha cara de metrópole, cheirava a sonho e não dispensava o vestido que a deixava em sintonia com a tarde ensolarada. Ele tinha acabado de acordar com a ligação dela para almoçarem juntos, tomara uma xícara de café forte e fazia a típica refeição paulistana às 3 da tarde, resumindo café da manhã, almoço e jantar a um prato quente servido em um boteco. Ela acordara cedo, tinha tomado uma caneca de café com leite e comido um pão com manteiga as 8 da manhã, depois havia andado pelas ruas da metrópole observando as mesmas caras sempre desconhecidas, quando se deu conta de que já passava da 1 e meia da tarde e precisava de companhia para almoçar. Ele amava seus livros e tudo novo que apendia, gostava de observar, as vezes se valia de uma alienação que ele mesmo abominava e possuía um gosto musical um tanto quanto duvidoso. Ela gostava de perseguir seus sonhos e não deixava objetivos meio acabados, era um tanto quando teimosa, as vezes achava que sabia tudo e não trocava o fascínio da bossa nova e as belas canções de Chico e Caetano por qualquer falsa melodia bem tocada. Eles de nada pareciam e de tudo se combinavam. Ele não trocava a menina impaciente por qualquer outra que passasse o dia a ler livros com ele. Ela não trocava o menino dos cabelos bagunçados por qualquer outro engravato que bebesse vinho com ela. A sintonia daquela antítese era espantosa até mesmo para o mais sábio dos poetas, não se resumia aos beijos e mordidas trocados, era composta pela mais bela melodia que os unia em uma harmonia perfeita demais até para Beethoven. Era tão estranho de se pensar que tudo isso se resumia a um simples fato, ele bebia água e ela caipirinha.
- Heloisa Massaro

Eu nada pensava quando me peguei observando seus copos. Ele bebia água, ela caipirinha. O significado daquilo ultrapassava a barreira do simples fato, era mais que lembranças, planos, sonhos… Era uma irônica semelhança que eu construía em frases tentando expressar e esconder o que aquela cena despertava em mim, criando ideias e imaginando fatos que talvez não passassem nem perto de ser metáforas de suas realidades. Ele tinha cara de cama, cheirava a livro e vestia aquela calça e camiseta que estavam jogadas na cadeira de seu quarto desde o dia anterior. Ela tinha cara de metrópole, cheirava a sonho e não dispensava o vestido que a deixava em sintonia com a tarde ensolarada. Ele tinha acabado de acordar com a ligação dela para almoçarem juntos, tomara uma xícara de café forte e fazia a típica refeição paulistana às 3 da tarde, resumindo café da manhã, almoço e jantar a um prato quente servido em um boteco. Ela acordara cedo, tinha tomado uma caneca de café com leite e comido um pão com manteiga as 8 da manhã, depois havia andado pelas ruas da metrópole observando as mesmas caras sempre desconhecidas, quando se deu conta de que já passava da 1 e meia da tarde e precisava de companhia para almoçar. Ele amava seus livros e tudo novo que apendia, gostava de observar, as vezes se valia de uma alienação que ele mesmo abominava e possuía um gosto musical um tanto quanto duvidoso. Ela gostava de perseguir seus sonhos e não deixava objetivos meio acabados, era um tanto quando teimosa, as vezes achava que sabia tudo e não trocava o fascínio da bossa nova e as belas canções de Chico e Caetano por qualquer falsa melodia bem tocada. Eles de nada pareciam e de tudo se combinavam. Ele não trocava a menina impaciente por qualquer outra que passasse o dia a ler livros com ele. Ela não trocava o menino dos cabelos bagunçados por qualquer outro engravato que bebesse vinho com ela. A sintonia daquela antítese era espantosa até mesmo para o mais sábio dos poetas, não se resumia aos beijos e mordidas trocados, era composta pela mais bela melodia que os unia em uma harmonia perfeita demais até para Beethoven. Era tão estranho de se pensar que tudo isso se resumia a um simples fato, ele bebia água e ela caipirinha.

- Heloisa Massaro


Photo postado em 7/01/2012 às 8:43pm | 0 notes | (reblogue this!)
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